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TDAH, o problema por trás da moda.

Estima-se que um a cada 20 adultos apresente sintomas suficientes para ser diagnosticado com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o famoso TDAH. Embora seja considerado um distúrbio neuropsicológico caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, concordo com alguns pensadores que afirmam que na verdade o TDAH poderia ser apenas um comportamento diferente que foge à norma, uma característica humana tão fisiológica quanto ser loiro, ter olhos puxados ou conseguir encostar a ponta da língua na ponta do nariz.

Entretanto, acredito que pensar assim não me faz fugir muito da ortodoxia psiquiátrica, afinal os transtornos precisam realmente ser entendidos dentro de seu contexto cultural e histórico. É fato que existem pessoas que possuem cérebros com uma atenção mais seletiva. Entretanto, isso não seria um problema se, quando crianças, não tivessem que se adaptar a um padrão de ensino extremamente engessado e limitado, que valoriza pouco a criatividade e bonifica a memorização de conhecimentos descontextualizados. Exercícios repetitivos e longos, ambientes com muitos estímulos visuais e auditivos, salas abarrotadas de alunos, tudo significando um tremendo desafio, principalmente para os meninos - 90% do total dos indivíduos diagnosticados com TDAH.

O insucesso ao enfrentar um mundo acadêmico hostil talvez seja um dos principais problemas relacionados ao TDAH. Falhar miseravelmente em garantir um bom desempenho na escola representa um tremendo baque para a auto-estima, dificultando ainda mais o interesse e criando um círculo vicioso de barreira para a aprendizagem.

O fato de terem cérebros mais confusos e caóticos não significa em nada dizer que os indivíduos com TDAH sejam mais burros. Embora eles de fato apresentem resultados de QI até 10 pontos mais baixos que seus pares, o resultado parece estar muito mais relacionado à dificuldade de concentração no próprio teste do que na falta de inteligência em si. Indivíduos com TDAH são evidentemente mais criativos, mais ambiciosos, mais empreendedores, além de apresentar um pensamento muito mais “fora da caixinha”.

Defendo, assim, uma transformação pedagógica que leve em consideração essas formas diferentes do cérebro funcionar. Porém, enquanto isso não acontece, também defendo o acesso de pacientes e alunos a bons médicos que realizem os diagnósticos e tratem a contento. Um metilfenidato (Ritalina ® ou Concerta ®) bem prescrito é um divisor de águas na vida de uma pessoa com TDAH. Como disse recentemente um paciente meu: “Doutor, eu era cego… mas agora posso ver”.

Isso não significa de forma alguma ser conivente com o uso dessas medicações de forma recreativa, como “doping cerebral”. Não vale a pena: o uso indiscriminado pode levar à depressão e dependência química. Se você acha que tem TDAH, consulte um médico e pare de usar essa ritalina comprada no mercado negro!



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